segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Escassez da água em SP (Opinião Carlos Nobre)





P. Como o senhor vê a seca que está afetando a região sudeste do país? Qual é a nossa responsabilidade em relação a ela?
R. Eu não sou especialista em uso da água. Mas a Academia Brasileira de Ciências reuniu, nos dias 21 e 22 de novembro, os melhores especialistas em recursos hídricos do Brasil para discutir o tema. De modo geral, o que recomendamos é a redução drástica de consumo. A não ser que ocorra um dilúvio, ainda assim, era preciso que tivesse um dilúvio de hoje, o início do verão, até março. E mesmo que chova de hoje até o fim da estação chuvosa uma quantidade na média, teremos um problema no próximo inverno até mais severo do que tivemos até agora, porque praticamente não há mais água no Cantareira e nem nos outros reservatórios. Nos próximos anos é preciso tomar medidas que combinem saneamento – melhorar a qualidade da água disponível – e consumo racional. Enquanto perdurar a crise, o consumo tem que diminuir. Além disso, as bacias estão muito degradadas. É preciso replantar as florestas para melhorar a vazão dos reservatórios e melhorar a qualidade da água.

“O Brasil tem condições de zerar o desmatamento em 15 anos”




Carlos Nobre, cientista climático e secretário de Políticas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, MCTI, acredita que há uma leitura muito severa sobre o papel do Brasil no âmbito do meio ambiente. Doutor em meteorologia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e membro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Nobre tem pesquisas feitas, desde os anos 1980, os impactos do clima sobre o desmatamento da Amazônia e seus ecossistemas. Para ele, o Brasil já vem trabalhando pela redução das emissões de gás carbônico (CO2), até mais do que outros países e tem plenas condições de casar preservação e desenvolvimento da agricultura.

Seu irmão, Antonio Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, se notabilizou este ano por um estudo mostrando o impacto do desmatamento para a seca de São Paulo, por exemplo. Para este problema, Carlos Nobre acredita que só é possível avançar com a redução do consumo de água.
Pergunta: Qual é o balanço que o senhor faz da COP20? O que o senhor acha sobre inserir os países emergentes no mesmo bloco que os países ricos no acordo para a redução de CO2?
Resposta: Se a gente considerar a COP15 (Copenhagen, 2009), que foi um grande fracasso, e depois a tentativa de reerguer as negociações nas conferências seguintes, a COP20 foi a melhor até agora. O que derrubou Copenhagen foi a falta de acordo, e isso frustrou todos os participantes, porque os Estados Unidos e a China estavam cada um falando uma língua diferente. A COP20 apresentou esse pré-acordo [de redução de CO2], que ainda precisa se materializar, mas pelo menos ele aconteceu. Se não houvesse esse acordo, hoje estaríamos bem mais frustrados. Sobre incluir os emergentes no mesmo bloco que os países desenvolvidos, não é bem assim. No documento, há uma frase que diz “respeitando as peculiaridades de cada país”. E essa última frase muda todo o espírito. Quando o tempo passa, as coisas mudam. Em 1992, por exemplo, a Coreia do Sul ainda era um país considerado em desenvolvimento. Em 2014, já é um país desenvolvido. Você tem que ter um mecanismo para que os países que vão avançando, assumindo condições tecnológicas e financeiras, possam desempenhar um papel importante.


P. Como será 2015 para o Brasil? Quais serão os principais desafios ambientais?
R. São três grandes desafios: acelerar a introdução de energias renováveis na matriz energética, reduzir o desmatamento e melhorar a produtividade da agricultura. O Brasil deve continuar sendo o protagonista e tem de continuar nessa trajetória de redução das emissões [de CO2]. Nos últimos anos, o único país grande em desenvolvimento que diminuiu [a emissão de gases de efeito estufa] foi o Brasil. Tem condições de, em dez,15 anos, zerar o desmatamento. Porque é possível aumentar a produção agrícola sem ter que expandir a fronteira agrícola. O Brasil tem a faca e o queijo na mão para zerar o desmatamento. Para isso, é preciso investir na agricultura e a pressão de expansão da fronteira agrícola em cima das florestas, do cerrado e da caatinga tem que zerar. E é preciso que os mecanismos de incentivos foquem na recuperação de áreas degradadas no sentido de plantar floresta. Isso não é nada fora do que é exequível para o Brasil.
O terceiro é a energia, que tem uma correlação muito grande com o crescimento  econômico e demográfico. A única maneira de mudar essa curva é alterando a matriz enérgica. É preciso que haja investimento do setor, incentivos de iniciativa pública com energias renováveis. O Brasil tem o maior potencial de energia renováveis do mundo por quilômetro quadrado. Nem os Estados Unidos e nem a China têm esse potencial.

SEMPMA - 2014

A Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma) encerra o ano de 2014 com resultados significativos do ponto de vista da fiscalização e  concessão de licenciamento ambiental, além da aplicação de sanções, nos casos que fogem às determinações legais. De janeiro a novembro, a Coordenação de Licenciamento registrou mais de 1.200 autorizações ambientais. Dentre elas, as prévias e de implantação, com 389 liberações.
Para poda e supressão de árvores que danificam os passeios públicos ou oferecem risco de queda foram concedidas, no mesmo período, 214 autorizações e 665 licenças de operação, que incluem serviços de engenharia e atuação comercial.
A Coordenadoria Geral de Fiscalização da Sempma realizou mais de  2.500 procedimentos. Como resultado, foram registrados 985 autos de infração, com 105 notificações, seis embargos, oito apreensões, 901 instaurações de processos administrativos, apuração de 300 denúncias e monitoramento de mais de 200 eventos.
A Sempma intensificou o monitoramento e apuração de denúncias referentes às ligações clandestinas em galerias de águas pluviais, o que resulta na poluição dos recursos hídricos. A maioria dessas ligações foi relacionadas às chamadas “línguas sujas” na orla marítima. Estas ações são executadas em parceria com a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Urbanismo (Seminfra).
Projetos e Educação Ambiental
Uma cidade mais verde e com a participação da população. Está é a proposta do Projeto Plantar, criado pela Coordenadoria de Educação Ambiental da Sempma. Lançando em julho, na Semana do Meio Ambiente, o Plantar executou a arborização da nova Avenida Josepha de Mello, implantação de espécies ornamentais na Avenida Sandoval Arroxelas, na Ponta Verde, em comunidades da parte alta da cidade e a uma escola municipal no bairro de Jacarecica.
Por meio do Plantar, 23 mil mudas de plantas ornamentais e oito mil m² de grama fazem parte da Avenida Josepha de Mello. Na Sandoval Arroxelas, o paisagismo foi implantado, com a colocação de mudas ornamentais. A Avenida Amélia Rosa recebeu grama em toda a extensão do canteiro central, dando novo aspecto a uma das principais vias do bairro de Jatiúca.
Arborização
O Conjunto Paulo Bandeira, no bairro do Benedito Bentes, recebeu 100 unidades de mudas de árvores de médio e grande portes. Em outro conjunto, o José Aprígio Vilela, no mesmo bairro, foram plantadas 117 mudas de árvores de grande porte. A etapa seguinte do projeto atendeu a uma escola municipal mapeada pela Coordenação de Educação Ambiental, a Hebert de Souza, localizada no bairro de Jacarecica.
O prefeito Rui Palmeira participou da ação do Projeto Plantar na escola. Na oportunidade, foi destacada a importância da conscientização ambiental para a formação de uma sociedade melhor. A escola foi escolhida pela Sempma por já executar ações ambientais com os alunos.



Cerquilho é a 4ª cidade do estado nos cuidados com o meio ambiente


Nota do município foi de 95.44 no ranking que vai até 100.
Arborização, tratamento de água e de esgoto são fatores favoráveis.



No Ranking Ambiental Paulista 2014 divulgado neste mês de dezembro, a cidade de Cerquilho (SP) ficou na quarta posição devido às ações de atenção ao meio ambiente. Na avaliação do Programa Município VerdeAzul, a cidade teve nota 95.44 do parâmetro que vai de zera a 100.
Arborização de ruas e praças agrada moradores e visitantes (Foto: Cláudio Nascimento / TV TEM)
Arborização de ruas e praças agrada moradores e
visitantes (Foto: Cláudio Nascimento / TV TEM)
De acordo com o secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Felipe Gustavo Pascutti, em 2013 a cidade ficou em 25º lugar no ranking com boa pontuação nos quesitos tratamento de esgoto, gestão de água e resíduos sólidos, mas teve a pior nota em arborização. Por isso, em 2014 foram distribuídas mais mudas, além de cuidados com as árvores já existentes.
Viveiros com mais de 1 mil espécies de árvores foram instalados na cidade. Do local saem mudas para terrenos municipais como praças, escolas, unidades de saúde, e também para moradores que querem plantar. O secretário explica que para conseguir o avanço na colocação, além de mais verde, uma divisão da secretaria foi formada para dar atenção às questões que ainda deixavam a desejar. Agora, a meta é melhorar. “A meta é chegar ao primeiro lugar. Mas eu acho que a gente não pode se prender ao primeiro lugar, mas sim à qualidade do serviço, à eficiência. Nós vivemos, como em todo o Estado de São Paulo, um problema hídrico. Cerquilho não deixou de ser assim. A gente vê que, as chuvas vindo agora neste mês de dezembro, a água não permanece no município. Ela vai logo embora. Isso porque não tem proteção aos mananciais. Então, chegou a hora da gente começar a investir de forma mais ampla nessa situação”, comenta.


O tratamento de esgoto da cidade também foi uma das questões que alavancaram o índice. Tudo é tratado. O técnico químico José Antonio Galvão, responsável pelo setor, conta que a água já tratada na estação é devolvida para os rios Sorocaba e Tietê. “Cerquilho tem hoje uma condição especial que a gente chama de cidade 300%. Isso significa que ela trata 100% da água. Também que coleta 100% do esgoto gerado na cidade, e trata 100% desse esgoto coletado”, explica.
Quem caminha pelas ruas da cidade se agrada com as condições das praças e vias arborizadas. A representante de vendas Débora Martinhão mora em São Paulo (SP), mas visita Cerquilho duas vezes por semana. Ela conta que fica impressionada com a cidade bonita e o clima tranquilo. “Acho a cidade bem cuidada, bem agradável. Aqui a gente pode ver pela própria praça o quanto é limpa e o quanto as pessoas usufruem do espaço”, diz. “Acho que a cidade está bonita, muito arborizada. As praças chamam a atenção. Agora mesmo eu estava andando e olhando como são bonitas as flores. Acho que é difícil encontrar no Brasil uma cidade que seja tão arborizada, que seja tão bonita”, comenta outra moradora.
Flores e árvores deixam o Centro de Cerquilho agradável (Foto: Cláudio Nascimento / TV TEM)Flores e árvores deixam o Centro de Cerquilho
agradável (Foto: Cláudio Nascimento / TV TEM)
Além de comprovadas pelos resultados, as iniciativas são sentidas pela população. E para conseguir um lugar ainda melhor na classificação, quem vive no município também dá dicas do que pode melhorar. “Uma ciclovia seria bom. Eu mesma trocaria o meu carro pela bicicleta, porque eu gosto muito de bicicleta, se tivesse uma ciclovia”, afirma a empresária Elen de Nadai Nunes.

Fonte: GLOBO

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

The Moro Pessoal !!!

Pesquisa: 170 animais deixam de ser ameaçados de extinção

Entre as espécies, estão a baleia jubarte e a arara-azul-grande, ambas com populações em recuperação
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, assinou, nessa quarta-feira (17), portarias que definem as novas Listas Nacionais de Espécies Ameaçadas de Extinção, construídas a partir do estudo. Esta foi a maior avaliação da fauna já feita no mundo. 
Ao todo, 170 espécies deixaram de fazer parte da relação. Entre elas, estão a baleia jubarte e a arara-azul-grande, ambas com populações em recuperação.
As novas listas ampliaram em 800% a quantidade de espécies avaliadas em comparação ao último levantamento, divulgado em 2003. Feita entre 2010 e 2014, a pesquisa considerou 12.256 espécies da fauna brasileira, incluindo peixes e invertebrados aquáticos. Na lista anterior, de 2003, haviam sido avaliadas 816.
O mapeamento das espécies da fauna e da flora e de peixes e invertebrados aquáticos beneficiará as políticas ambientais desenvolvidas em nível nacional e global. “A medida dialoga com as melhores iniciativas internacionais”, ressaltou Izabella. Segundo a ministra, o estudo também vai auxiliar a criação de novas unidades de conservação.
Os resultados incluem a avaliação de espécies antes não descritas, a exemplo do macaco-prego-galego, encontrado na Mata Atlântica nordestina, e que já entrou na lista como espécie ameaçada.
Três espécies consideradas extintas foram reencontradas pelos especialistas, como a libélula fluminagrion taxaense, a formiga simopelta minina, e o minhocuçu rhinodrilus sasner.
Amostra
O levantamento mostra um incremento na quantidade de espécies ameaçadas. O total nessa situação é de 1.173, divididas em três categorias: Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU).
Na lista anterior, realizada em 2003 e 2004, havia 627 espécies ameaçadas. “O número aumentou porque a amostra também aumentou. A lista cresce porque se conhece mais”, explicou a ministra Izabella.
A antiga lista, no entanto, contemplava apenas 816 espécies, universo bastante reduzido quando comparado às mais de 12 mil espécies analisadas na lista atual. “Agora, temos também mais clareza sobre as espécies que saíram da lista”, ponderou.
Os pesquisadores conseguiram incluir 100% dos anfíbios, aves, mamíferos, répteis e mais de dois mil animais invertebrados. Com a adoção do Programa Nacional de Conservação das Espécies Ameaçadas de Extinção( Pró-Espécies), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), tem sido possível estabelecer políticas públicas específicas e adotar ações de prevenção, conservação, manejo e gestão para minimizar as ameaças e o risco de extinção dessas espécies.
A metodologia utilizada anteriormente definia como objeto de estudo somente as espécies já consideradas potencialmente em risco de extinção. Agora, as 12.256 espécies avaliadas compõem um rico banco de dados, com informações sobre distribuição geográfica, ecologia e habitat, dados populacionais e presença em Unidades de Conservação (UCs).
Prêmio Nacional
A ministra Izabella lançou, ainda, edital de uma nova premiação de práticas ambientais. A partir de 2015, o MMA patrocinará a realização do Prêmio Nacional da Biodiversidade, que reconhecerá iniciativas, atividades e projetos que se destaquem na busca da melhoria do estado de conservação das espécies da biodiversidade brasileira. Serão sete categorias.
Poderão ser inscritas as iniciativas relacionadas à melhoria no estado de conservação ou divulgação da biodiversidade brasileira, conforme detalhado no regulamento do Prêmio. Serão contemplados os trabalhos de organizações não governamentais, empresas, sociedade civil, academia, órgãos públicos, imprensa e iniciativas individuais.
As inscrições serão gratuitas e deverão ser feitas a partir de 22 de dezembro de 2014 até 13 de fevereiro de 2015, exclusivamente no site do MMA. A divulgação dos resultados da seleção está prevista para ocorrer dia 30 de abril do ano que vem e a cerimônia de premiação deve acontecer em 22 de maio, dia internacional da biodiversidade.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

The Moro pessoal !!!! 

Entre tantos assuntos de meio ambiente infelizmente vou mostrar um pouco para vocês as consequências de algumas atividades humanas que precisam ser MUDADAS URGENTEMENTE !!! 


Mamirauá: onças-pintadas sobrevivem na selva inundada 


  Deslizar a remo durante horas pela Amazônia inundada em um silêncio absoluto é como flutuar na floresta. Os únicos barulhos que interrompem a sinfonia da selva é o farfalhar do remo entrando na água e o insistente bip do receptor de rádio anunciando que podemos estar muito próximos de uma onça-pintada. Provavelmente o animal monitorado já nos espreita do alto de uma figueira, mas avistar o maior felino das Américas camuflado na mata densa é uma missão para quem tem o olhar aguçado.

A espécie de “caça ao tesouro” na busca pelas onças-pintadas na maior floresta tropical do planeta faz parte da rotina dos integrantes da Jaguar Expedition. O roteiro de turismo científico foi desenvolvido pelo Instituto Mamirauá em meio a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de mais de um milhão de hectares, a 600 km de Manaus. Há 10 anos, pesquisadores do Instituto monitoram o comportamento das onças para desenvolver estratégias de conservação para o felino, uma das espécies brasileiras ameaçadas de extinção. A população de 10 mil onças que vivem na Amazônia caiu 10% nos últimos 27 anos, em razão da fragmentação do habitat e desmatamento, segundo estudo recente.
Em Mamirauá, o habitat dos felinos é peculiar. Ali, ano após ano, um mar de água encharca 1,1 milhão de hectare de floresta com uma sazonalidade infalível – e sem espantar o maior predador da selva. Acostumadas a caminhar quilômetros pelas trilhas da floresta, nesse período conhecido como várzea (de maio a julho), as cerca de 500 onças que vivem na Reserva permanecem em cima de figueiras e tepuís de 20 a 30 metros de altura. À noite, enquanto boa parte da floresta descansa, elas saem para jantar. Para garantir o menu desejado, se fazem valer do olhar apurado, dos movimentos cautelosos e dos reflexos rápidos e certeiros. Exímias nadadoras, se servem de jacarés-tinga, ou escalam árvores para abocanhar macacos distraídos. Este comportamento é considerado inédito, pois nunca foi descrito em outras partes do mundo. O esperado é que durante as cheias, os felinos migrassem para áreas secas da floresta. “Mas Mamirauá é uma ilha, então uma espécie que vive aqui dentro, teria necessariamente que cruzar o Rio Amazonas toda vez que a água subisse", explica o pesquisador Emiliano Esterci Ramalho que lidera o projeto de monitoramento dos animais.
No rastro das panteras
À frente do Projeto batizado de “Iauretê", o biólogo e sua equipe buscam responder questões básicas da ecologia da espécie para subsidiar as ações de conservação. O trabalho envolve entrevistas com os moradores das comunidades ribeirinhas de Mamirauá, análise de vestígios, como pegadas e restos de presas, e monitoramento através de colares de telemetria GPS/VHF. Para isso os pesquisadores precisam seguir os rastros dos animais durante o período da seca pelas trilhas de terra firme. Nessa época, fazem a captura dos animais que vão ser estudados durante um ano. Ao todo, oito onças já foram acompanhadas de perto pelos estudiosos que sobrevoam a floresta e obtêm as coordenadas dos animais com receptores de radio VHF. Só então, com dados aproximados sobre o lugar onde as feras estão zanzando, eles saem de barco pela selva adentro, remando entre a copa das árvores, já que durante as cheias a água sobe até 12 metros de altura. Com as informações levantadas, é possível analisar como a espécie usa o habitat, quais suas presas prediletas, se ela está se aproximando ou não das comunidades da reserva. “Quanto mais informações tivermos sobre a espécie, mais fácil será protegê-la”, explica Emiliano. Segundo o cientista, a descoberta sobre o comportamento das onças de Mamirauá reforça a importância da preservação das florestas de várzea para a conservação dos felinos.
Expedição e avistamento
"Só quem já fitou uma onça pintada sabe como é difícil desviar dos olhos hipnotizantes da fera. Nem mesmo seus músculos torneados ou suas presas afiadas despretensiosamente exibidas em um bocejo parecem tão fortes quanto seu olhar."
A partir deste ano de 2014, os visitantes da reserva são convidados a encarar com os pesquisadores a aventura de adentrar a selva alagada em busca das panteras. O pacote turístico que inclui as saídas para avistamento é organizado pela Pousada Uacari. A uma hora de barco da cidade de Tefé, Amazonas, a hospedagem conta com cinco bangalôs que flutuam em um braço de lago e é gerida pelo Instituto Mamirauá em parceria com moradores da reserva. A proposta do projeto é gerar renda para as comunidades locais, para melhorar a convivência entre a onça e os ribeirinhos. A caça por retaliação é um dos principais riscos para a espécie na Amazônia, pois o abate das onças ainda é comum como forma de proteger os rebanhos de porcos e vacas de ataques dos felinos.
Todos os integrantes da expedição participam da experiência de encontrar os animais. Quando o bip apita pela primeira vez, o desafio é decifrar de onde o som está vindo e tentar encontrar um caminho por entre galhos e troncos caídos para tentar seguir o som do receptor. Quando mais perto, mais intenso o apito. O clima é de suspense. Quase ninguém fala e qualquer barulho é suspeito. O encontro de fato pode acontecer em poucos minutos depois de horas, a depender do nível de interferência que os obstáculos da mata produzem sobre os rádios. A obstinação, porém, não costuma ser em vão. Só quem já fitou uma onça pintada sabe como é difícil desviar dos olhos hipnotizantes da fera. Nem mesmo seus músculos torneados ou suas presas afiadas despretensiosamente exibidas em um bocejo parecem tão fortes quanto seu olhar. Para os mais ousados, encarar o bicho que está no topo da cadeia alimentar da maior floresta tropical do planeta é sinal de sorte.
“Queremos provar que a onça pode trazer também benefícios financeiros para as pessoas que vivem aqui” diz Emiliano. Além de se engajarem na expedição como guias ou funcionários da pousada, os ribeirinhos são beneficiados com a destinação de uma porcentagem do valor do pacote turístico para a associação de moradores que representa as comunidades de Mamirauá.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

The Moro pessoal !!!! 

Depois de tanto tempo , estamos de volta retomando nossa atividades de conscientização ambiental , com as técnicas Nathalia Cleto e Nathália Mendes .. 
Aguardem para as próximas postagens .